Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, FM

Fernando Gonçalves diz que ainda é incerto o futuro da Renamo

Vânia Muchanga,

O comentarista da Rádio Mais, Fernando Gonçalves, disse ontem, em Maputo, que a Renamo deve alcançar consensos sobre o futuro sucessor de Afonso Dlhakama.

Fernando Gonçalves falava na rubrica Matabicho, do programa Manhãs Demais da Rádio Mais, na sequência da morte, de Afonso Dlhakama, no passado dia 3, vítima de doença, na serra de Gorongosa, Província de Sofala.
“É muito difícil neste momento antecipar o que pode vir a acontecer, sabemos que a Renamo tem duas componentes, a militar, muito próxima a Dlhakama e a civil, que está na Assembleia da República e provincial. Até que ponto estas duas forças podem convergir na indicação de um elemento de consenso que possa falar autoritariamente em nome da Renamo. Infelizmente não deu tempo de a Renamo se organizar”, disse o comentarista residente da Rádio Mais.

Fernando Gonçalves é também da opinião de que o processo de descentralização deve continuar pela via pacífica.
“Penso que o caminho do diálogo é o ideal, há registos feitos e qualquer pessoa que assumir a liderança, terá acesso a estes registos a partir do ponto onde o senhor Afonso Dlhakama deixou e seguir para frente”,  frisou o comentarista

Fernando Gonçalves apela à transparência e objectividade na resolução dos problemas políticos e sociais do país.
“É preciso que os dirigentes políticos de ambos os partidos façam de tudo para criar confiança, um do outro. É também preciso mostrar que não há algo a esconder  e que está tudo a ser feito numa base de inteligência e objectividade. Algumas forças da Renamo não vão conseguir se juntar à Frelimo, porque há uma orgânica que tem requisitos próprios e se a pessoa não tem estes requisitos deve  passar por uma formação intensiva”, disse o comentarista.

Para Fernando Gonçalves o processo de desmilitarização vai carecer de apoio sem interesses partidários, em Moçambique.
“O importante é que se avance  com a desmilitarização da Renamo, no sentido  positivo do termo. O que estava preconizado sobre a integração dos militares da Renamo nas Forças de Defesa e Segurança seja realizado. Neste momento Moçambique vai precisar de ajuda externa, porque este processo envolve muita desconfiança”, sustenta Fernando Gonçalves.

Afonso Dlhakama morreu aos 65 anos de idade, vítima de doença, na serra de Gorongosa, província de Sofala.

Fernando Gonçalves considera ser urgente e imprescindível a agenda política nacional e a pacificação do país no período que se segue à da morte do líder da Renamo.
 “Houve oportunidade de resolver todos os problemas políticos em Moçambique, sem ser pela via armada, mas penso que é importante que a Renamo compreenda que a agenda política nacional que é a pacificação do país, é importante, urgente e imprescindível”, concluiu Fernando Gonçalves, comentarista da Rádio Mais, falando ontem (4 de Maio) na rubrica Matabicho, do programa Manhãs Demais, dos contornos políticos pós morte de Afonso Dlhakama, líder do maior partido da oposição de Moçambique, Renamo.

Autores

Vânia MuchangaVânia Muchanga...